Semana mundial da amamentação: incentivo e suporte às mães é crucial para a saúde do bebê

Semana mundial da amamentação: incentivo e suporte às mães é crucial para a saúde do bebê

Amamentar é um ato de carinho e amor. E também pode salvar vidas. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o aleitamento materno pode reduzir em até 13% a taxa de mortalidade de crianças com menos de dois anos. Na Semana Mundial da Amamentação, celebrada de 01 de 07 de agosto em mais de 170 países, a OMS quer chamar a atenção para como esse simples ato pode fazer bem à saúde da mãe e do bebê e ainda contribuir para o desenvolvimento sustentável.

“Amamentar é de graça, é natural, é prático, e ainda não desperdiça recursos naturais”, enfatiza a pediatra Valéria Clemente, diretora de projetos, acesso ao mercado e pesquisa clínica da Evidências – Kantar Health. “Além disso, é uma das poucas coisas na vida que quanto mais você dá, mais você tem”.

De acordo com um grande estudo publicado no início deste ano pela conceituada revista britânica The Lancet, a amamentação ajudaria a prevenir mais de 800 mil mortes de crianças abaixo de dois anos de idade. Isso porque o leite materno é capaz de diminuir significativamente o número de ocorrências de infecções respiratórias e de diarreia. Mas ainda existem outros benefícios que o leite materno pode trazer para a criança. Bebês que mamam exclusivamente no peito até os seis meses têm menos risco de desenvolver asma e artrite reumatoide, alergias, anemia e até mesmo de se tornarem adolescentes obesos ou com sobrepeso. Além disso, a sucção do peito durante a amamentação contribui para o desenvolvimento da arcada dentária da criança, fortalecendo os músculos da face, a mandíbula e o maxilar, e preparando esses órgãos para o aprendizado da fala. E não é só: alguns estudos apontam que o aleitamento materno contribui para o desenvolvimento cognitivo das crianças.

“O leite materno é o alimento perfeito para o bebê. Ele contém todos os nutrientes e sais minerais que a criança necessita até os seis meses de idade. Nenhuma fórmula consegue imitar isso”, afirma Clemente. “Sem contar que um dos maiores benefícios da amamentação é o vínculo que cria entre a mãe e o bebê, esse laço afetivo extremamente forte que une ainda mais os dois e que traz segurança e conforto para ambos”.

Cuidado especial com as mães

A amamentação também traz benefícios para as mães. Primeiramente, o aleitamento contribui para que o útero volte ao seu tamanho normal e para a perda de peso. Também reduz o risco da mulher desenvolver doenças cardiovasculares e diabetes após a gravidez, e protege contra o câncer de mama e de ovário.

Mas apesar de amamentar ser um ato natural, é algo que deve ser aprendido – e que nem sempre é fácil. Muitas pesquisas vêm demonstrando que as mães precisam de apoio e orientação para conseguir amamentar adequadamente – e aqui um pré-natal bem feito é extremamente importante.

Além disso, é importante que as mães recebam apoio também após seu retorno ao trabalho. No ano passado, o Ministério da Saúde realizou uma campanha de aleitamento incentivando os empregadores a criarem um espaço de banco de leite para as mães e também a disponibilizarem creches próximas ao trabalho. A Fundação das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) também criou cartilhas para o incentivo do aleitamento materno, orientando a respeito do suporte que os familiares e comunidade podem dar às mães.

“Há um peso muito grande que a sociedade impõe sobre a mãe a respeito da amamentação, porque existe essa carga de que a mulher precisa amamentar, e às vezes, por inúmeros motivos, ele tem uma dificuldade ou mesmo é impossibilitada de fazê-lo, e acaba se sentindo uma péssima mãe por não conseguir amamentar seu próprio filho. Então essa mulher precisa de muito cuidado, atenção e apoio para poder lidar com essa situação”, alerta Clemente. “Para que o aleitamento materno aconteça adequadamente, é preciso que a mulher tenha apoio de sua família, dos profissionais da saúde e da sociedade, através de ações de conscientização, educação e até mesmo de leis, como licença maternidade e espaços adequados para amamentação, etc.”, explica.

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