Saúde materna: a importância do cuidado com as mães é fator crucial na saúde das crianças

Saúde materna: a importância do cuidado com as mães é fator crucial na saúde das crianças

No dia das mães, dizer que é preciso cuidar de quem cuida da gente pode parecer batido, mas é extremamente importante. Estudos apontam que a saúde materna é essencial para garantir a saúde das crianças – e, por extensão, de toda a família. Ainda assim, muitas mães sofrem com falta de acesso à saúde, condições precárias e má qualidade de vida – especialmente nos países em desenvolvimento.

Uma criança saudável precisa de uma mãe saudável. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), pelo menos 20% da carga de doenças em crianças com menos de cinco anos está relacionada a problemas na saúde materna e desnutrição, bem como a qualidade dos cuidados no parto e durante o período de recém-nascido. Além disso, ainda de acordo com a organização, um bebê cuja mãe morre durante o parto tem menos chances de sobreviver, e crianças que perderam suas mães têm 10 vezes mais probabilidade de morrer dentro de dois anos após a morte de suas mães.

“Não existe uma criança feliz com uma mãe infeliz ou doente”, afirma a pediatra Valéria Clemente, diretora de projetos e acesso ao mercado da Evidências – Kantar Health. “O cuidado com a mãe tem que ser intensivo, não apenas no pré-natal, mas também no pós-parto. A mãe precisa estar bem, tanto fisicamente quanto mentalmente, para cuidar bem de seu filho”.

Mas não é só. As mães também são peças fundamentais para garantir a saúde e a qualidade de vida das crianças. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), as mães são as principais provedoras de cuidados como nutrição, saúde bucal e saúde psicológica das crianças. Além disso, o papel das mulheres na saúde também é fundamental: dados de uma pesquisa realizada pela Kantar Health em 2015 mostram que a maioria das decisões da saúde é tomada pelas mulheres. De acordo com a pesquisa, 94% das mulheres tomam as decisões de seus próprios cuidados de saúde e 59% tomam as decisões de cuidados de saúde de outros. Assim, garantir a saúde da mãe é uma forma de garantir consequentemente a saúde e o bem estar de toda a família.

Um bom exemplo é o caso das mães de crianças com microcefalia. “Estão sendo criados vários programas de apoio a essas mães, porque elas têm que estar com a saúde em dia para cuidar dessas crianças, que vão demandar muita atenção e muito cuidado. Se a mãe não estiver bem, como ela vai conseguir levar essa criança no fisioterapeuta, no neurologista, seguir as recomendações desses médicos, etc.?”, alerta Clemente.

Mortalidade materna

Apesar do papel da mãe ser fundamental para a saúde da criança, as taxas de mortalidade materna ainda se mantêm altíssimas. Segundo dados da UNICEF, uma mulher morre de complicações no parto a cada minuto - cerca de 529.000 a cada ano - a grande maioria nos países em desenvolvimento. O risco de uma mulher em um país em desenvolvimento morrer devido a uma causa relacionada à gravidez ao longo da vida é aproximadamente 36 vezes maior em comparação com uma mulher vivendo em um país desenvolvido. Dados do Banco Mundial mostram que a taxa de mortalidade materna em Serra Leoa é de 1.360 por 100.000 nascimentos – número que contrasta significativamente com a taxa de quatro mortes por 100.000 nascimentos registrada em países como Suécia e Áustria. As maiores causas de morte materna são infecções, hemorragias e hipertensão, durante a gravidez ou no parto.

No Brasil, a mortalidade materna é de 44 casos por 100.000 nascimentos, segundo o Banco Mundial. Apesar da taxa estar diminuindo a cada ano, o ritmo de queda não é suficiente para que o país alcance o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM) da Organização das Nações Unidas (ONU), de 35 mortes por 100.000 nascimentos. A altíssima taxa de cesáreas, o excesso de intervenções desnecessárias, a falta de treinamento de equipes especializadas e a proibição do aborto são alguns dos fatores apontados como barreiras para que o risco diminua mais no país.

Mesmo com esses números alarmantes, a maioria dessas mortes - 90%, segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) - pode ser evitada, principalmente na orientação e acesso a cuidados da mulher não só durante o parto e a gravidez, mas sim em toda a vida. Para atingir este objetivo, é importante que os decisores a nível internacional, regional e nacional, em conjunto com as comunidades e famílias, unam esforços para reconhecer e tratar os riscos, buscando garantir a saúde das mães.

“É preciso conscientizar as próprias mães da importância delas cuidarem da própria saúde. Porque geralmente a mãe esquece, ou relega ao segundo plano, a sua saúde em detrimento da saúde de seus filhos. Ela precisa entender que se ela se cuidar, ela vai poder cuidar melhor de seu filho e de toda sua família”, enfatiza Clemente.

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