Outubro Rosa: informação é aliada desde a prevenção até os tabus sobre o câncer de mama

Outubro Rosa: informação é aliada desde a prevenção até os tabus sobre o câncer de mama

Em outubro, monumentos e cidades ficam mais rosa. E isso acontece por causa do Outubro Rosa, um movimento mundial que a cada ano vem ganhando mais força a fim de conscientizar todas as mulheres sobre a importância da prevenção ao câncer de mama. Para falar um pouco mais sobre essa doença, convidamos a oncologista e diretora de Medical Intelligence, Bruna Pegoretti, para essa entrevista exclusiva. Confira!

Blog Evidências: Quais fatores podem colaborar para o aumento da sobrevida e mesmo para a queda da mortalidade de pacientes com câncer de mama?

Bruna Pegoretti: O câncer de mama é o tipo de tumor que mais atinge o sexo feminino e é responsável por cerca de 20% dos óbitos por câncer entre as mulheres. Os fatores de prevenção mais impactantes dizem respeito aos bons hábitos de vida com dieta balanceada e atividade física. Parece “clichê” falar isso, mas o impacto positivo destes hábitos é de uma magnitude incrível; existem estudos de qualidade comprovando que mesmo após um diagnóstico de neoplasia de mama, mulheres que adotaram bons hábitos após o diagnóstico, têm redução de mortalidade considerável pela doença em relação as mulheres que seguem com maus hábitos. O diagnóstico precoce é fundamental para o aumento das chances de cura já que estes estão diretamente relacionados ao estágio da doença ao diagnóstico, então mamografia e visitas periódicas ao seu médico são fundamentais.

BE: Como lidar com baixa autoestima, cuidados com saúde mental, queda de cabelo?

BP: O impacto psicológico do diagnóstico é brutal e toda mulher que passa por este diagnóstico sofrerá um processo de luto em algum momento no decorrer do tratamento ou mesmo após o seu término. É muito frequente no consultório observar que as mulheres “seguram a peteca” durante o processo do diagnóstico e do tratamento quimioterápico inicial e às vezes só depois de algum tempo, algumas até durante o seguimento da doença quando já estão “fora de perigo”, vêm a desenvolver um quadro depressivo. É como se ela segurasse a própria barra e a dos familiares durante o período agudo de tratamento e quando se vê fora de perigo se desse “ao luxo” de baixar a guarda.

BE: Por ser algo comum nos consultórios, o que pode ser feito nesses casos?

BP: Realmente é muito comum, daí a importância de acompanhar estas pacientes de perto, estar atento ao menor sinal de um quadro depressivo e interferir precocemente para mitigar sofrimentos. Quase 100% das mulheres ao serem informadas que o cabelo irá cair (felizmente isso não ocorre com todos os tratamentos quimioterápicos) têm uma atitude positiva e dizem que estão mais preocupadas com a saúde - é como se ela não sentisse o direito de sofrer por questões estéticas frente a um diagnóstico grave, mas a verdade é que o cabelo é um aspecto muito importante na vida das mulheres e nestes casos os profissionais devem tomar uma atitude de reforço positivo, mostrando às pacientes que estas têm todo o direito de sofrer por estas questões também, mas que, apesar de estigmatizantes, essas questões são temporárias. Hoje em dia existe uma touca chamada “cold cap” (toucas geladas) que se utilizadas durante a quimioterapia reduzem consideravelmente o risco de alopecia (queda dos cabelos). Além disso, contar com uma rede de apoio multidisciplinar nestes casos é fundamental.

BE: Como lidar com o câncer de mama em homens? Há uma delicadeza maior em abordar esse assunto/tratamento?

BP: O Câncer de mama nos homens é extremamente raro e seu tratamento não tem nenhuma distinção em relação ao tratamento do câncer de mama nas mulheres, de forma geral o peso de uma mastectomia é bem menor nos homens.

BE: O que a campanha do Outubro Rosa agrega? O que ainda precisa ser melhorado?

BP: Agrega informação e noto que promove a aproximação dos acometidos pela doença com a população geral. Antes os pacientes se escondiam, tinham vergonha de falar sobre a doença, hoje eles podem encontrar apoio em todos os segmentos da sociedade. A qualidade da informação ainda precisa ser melhorada, ainda vejo falarem em autoexame na campanha, quando já foi comprovado há alguns anos que ele não ajuda.

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