Imunoterapia apresenta ganhos significativos para pacientes com melanoma avançado

Imunoterapia apresenta ganhos significativos para pacientes com melanoma avançado

O câncer de pele é o tipo mais frequente no Brasil, e o melanoma é a forma mais agressiva do câncer de pele. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), em 2016, o melanoma deve acometer cerca de seis mil brasileiros. O instituto ainda estima que cerca de quatro brasileiros morram por dia devido à doença. No entanto, um novo medicamento vem demonstrando resultados positivos para pacientes com esse tipo de câncer.

Resultados de um estudo conduzido com pembrolizumabe, imunoterapia desenvolvida para combater o câncer por meio do estímulo à resposta imunológica, demonstram que o medicamento proporciona ganhos significativos para pacientes com melanoma avançado. O estudo comprovou a superioridade de pembrolizumabe em comparação à imunoterapia padrão, ipilimumabe, em parâmetros como taxa de resposta, sobrevida livre de progressão da doença e sobrevida global.

Pembrolizumabe é um anticorpo monoclonal humanizado, desenvolvido para aumentar a capacidade do sistema imunológico de combater o melanoma avançado. A ação do medicamento ocorre por meio do bloqueio da interação entre a proteína PD-1, das células de defesa do corpo, e seu ligante, o PD-L1, das células tumorais. Ao bloquear essa interação, o medicamento aumenta o potencial de ataque das células de defesa em relação às células cancerígenas, ou seja, faz com que haja mais ação contra o tumor.

Pembrolizumabe está aprovado pela agência regulatória norte-americana Food and Drug Administration (FDA) para o melanoma avançado, em pacientes que falharam a ipilimumabe. Na Europa, o medicamento está aprovado para o tratamento do melanoma avançado em adultos (irressecável ou metastático) na primeira linha do tratamento e também em pacientes previamente tratados. A aprovação permite a comercialização do medicamento em todos os 28 estados membros da União Europeia.

O estudo

O estudo KEYNOTE 006 avaliou pembrolizumabe na dose de 10 mg/kg a cada duas ou três semanas em comparação à imunoterapia padrão – ipilimumabe – na primeira linha de tratamento do melanoma avançado em 834 pacientes. O estudo confirmou que pembrolizumabe 10 mg/kg a cada três semanas obteve uma taxa de resposta quase três vezes maior que a dos tratados com ipilimumabe (33% versus 12%, respectivamente). A taxa de sobrevida livre de progressão, em seis meses, foi quase duas vezes maior com pembrolizumabe do que com ipilimumabe (46,4% versus 26,5%, respectivamente) e houve redução de 31% do risco de morte dos pacientes tratados com pembrolizumabe em comparação com ipilimumabe. Além disso, 70% dos pacientes que receberam a terapia anti PD-1 tiveram algum nível de redução do tumor.

Devido ao fato de pembrolizumabe demonstrar uma melhora estatística e clinicamente significativa na sobrevida global e na sobrevida livre de progressão em comparação a ipilimumabe, o estudo KEYNOTE 006 foi finalizado de maneira precoce, baseado na recomendação do Comitê Independente de Monitoramento de Dados do Estudo. Pembrolizumabe também foi a primeira terapia anti-PD-1 a demonstrar uma vantagem de sobrevida em comparação ao padrão de tratamento até o momento (ipilimumabe).

Sobre o melanoma

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que a incidência do melanoma vem aumentando nas últimas quatro décadas. Foram mais de 232 mil novos casos em todo mundo no ano de 2012. Segundo o INCA, em 2015, o mais letal dos tumores de pele deve acometer mais de cinco mil brasileiros, um aumento de cerca de 300 registros em relação ao ano anterior.

Entre os fatores de risco do câncer de pele, o mais preocupante é a exposição a raios UV. As pessoas que recebem muita exposição de fontes como lâmpadas, camas de bronzeamento e luz solar elevam o risco de câncer de pele, inclusive do melanoma. As áreas mais comuns em que o melanoma geralmente aparece são as que estão expostas ao sol, como: costas, pernas, braços e faces e os primeiros sinais em geral estão ligados a um crescimento de alguma mancha ou pinta de aparência incomum na pele e/ou uma mudança em pinta existente.

O melanoma em estágio inicial geralmente pode ser retirado com cirurgia, contudo nos estágios mais avançados o tratamento é mais complexo. Uma das inovações que beneficiam os pacientes com melanoma maligno é a imunoterapia, abordagem de tratamento que utiliza o poder do sistema imunológico para combater o câncer e que ganhou força na última década. Esses medicamentos funcionam bloqueando mecanismos que inibem o sistema imunológico, potencializando a ação contra o tumor ou estimulando a resposta imune.

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