Dia Mundial de Combate à AIDS 2017: já temos PrEP, mas camisinha continua crucial

Dia Mundial de Combate à AIDS 2017: já temos PrEP, mas camisinha continua crucial

Novidades como a PrEP, que evita contágio com HIV em casais sorodiscordantes, não tira importância das campanhas pelo uso do preservativo, que tem caído em desuso entre os jovens

É possível que pessoas não infectadas, mas que possuem maior vulnerabilidade ao contágio, possam prevenir o contágio com o vírus do HIV utilizando diariamente uma pílula antirretroviral (ARV). Parece utópico, mas essa realidade já existe. Chamada de PrEP, (profilaxia pré-exposição) e também conhecida pelo nome comercial de Truvada, o medicamento combina dois tipos de retrovirais, o tenofovir e emtricitabitina, que bloqueiam o ciclo da multiplicação do vírus, caso ocorra a infecção. Não é uma vacina, mas evidências científicas mostram que o medicamento possui eficácia superior a 90% com o uso contínuo.

No mundo, existem hoje mais de 36,7 milhões de pessoas vivendo com o HIV, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Dentre essa população, a PrEP se destaca como um importante aliado no combate à doença, já que seu diferencial é atingir um público que possui maior vulnerabilidade de se infectar e que, por algum motivo, não consegue se proteger em todas as relações sexuais, como é o caso da população transexual, casais soro discordantes (quando um tem vírus e o outro não), homens que fazem sexo com outros homens (HSHs) e profissionais do sexo.

Apesar de grande aliado ao combate à AIDS, a utilização da PrEP não é substituta do preservativo, já que o medicamento não possui 100% de eficácia e ajuda na prevenção somente contra o HIV. O uso da camisinha continua sendo o mais indicado para a prevenção de outras doenças sexualmente transmissíveis, como a gonorreia e hepatites, além de evitar a gravidez indesejada.

A PrEP surge como mais uma alternativa para lidar com o vírus da AIDS, mas é importante que as pessoas continuem usando a camisinha como forma de evitar o contágio com o vírus HIV. Nos últimos anos, percebeu-se uma queda na compra de camisinhas e no uso do preservativo nas relações sexuais, o que não é nada recomendado pelos médicos.

Dados do Target Group Index da Kantar IBOPE Media mostram que nos últimos 5 anos, houve queda na compra (-21%) e no uso do preservativo (-9%) entre brasileiros maiores de 18 anos. Os números são ainda mais alarmantes entre o público jovem: na faixa etária entre 18 e 24 anos, a compra da camisinha diminuiu 25% e o uso do preservativo em novos relacionamentos caiu 11%.

Talvez por não terem sido testemunhas de mortes em decorrência da AIDS, já que hoje um soropositivo tem uma expectativa e qualidade de vida muito melhor, os jovens podem estar negligenciando os cuidados com a própria saúde.

Até mesmo a PrEP, por exemplo, é uma nova alternativa direcionada às populações de risco – como casais soro discordantes – e não funciona como uma “vacina” contra o vírus HIV. “A AIDS continua sendo uma doença sem cura e que pode atingir a todas as pessoas”, alerta Eloisa Moreira, diretora de pesquisa clínica da Kantar Health.

Quer saber mais sobre o medicamento? Leia na íntegra o artigo que trata sobre o tema da PrEP.

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