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ARTIGO: Dia das mulheres vai além de flores e parabéns

ARTIGO: Dia das mulheres vai além de flores e parabéns

ARTIGO: Dia das mulheres vai além de flores e parabéns

Todo dia oito de março é comum ver flores sendo entregues, mensagens enviadas, posts no facebook, promoções de cosméticos e mulheres sendo parabenizadas por serem mulheres. Mas essa data – voltada ao comércio – possui uma ideia que vai além: é uma iniciativa para lembrar e reforçar a luta pela igualdade de gênero em todas as áreas em que elas convivem, seja profissional, política, financeira, pessoal, sexual e social.

Historicamente, o primeiro dia das mulheres foi celebrado em 1909 nos Estados Unidos pelo Partido Socialista, mas ao longo dos anos foram vários os fatos que remetem às reivindicações vivenciadas por elas, desde a marcha de 15 mil mulheres nas ruas de Nova York em 1908 até o incêndio ocorrido em uma fabrica têxtil em março de 1911, onde cerca de 140 mulheres que estavam em greve morreram queimadas. Porém, foi no ano de 1975 que o dia 8 de março foi oficializado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional das Mulheres.

E mesmo em meio às lutas antigas, a reflexão pelos direitos das mulheres ainda é atual e chama a atenção para o crescente número de feminicídio - violência contra a mulher - decorrente no Brasil: é o quinto maior no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o que consiste não só em uma questão social, mas também de saúde.

Dados da violência

A violência sexual é um problema de saúde pública com graves consequências, de curto e longo prazo, sobre as vítimas. Segundo pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Publica (FBSP), a cada 11 minutos uma mulher é estuprada no país. Porém, esse número é considerado maior tendo em vista que apenas 10% dessas agressões são registradas pelas vítimas, que deixam de denunciar por fatores como medo ou sentimento de culpa.

De acordo com a OMS, a violência sexual, além de causar lesões físicas, está associada com um aumento do risco de uma série de problemas de saúde sexual e reprodutiva. Além disso, seu impacto sobre a saúde mental também é grave e pode ter uma longa duração. Ainda, a violência sexual pode muitas vezes resultar na morte da vítima – senão imediatamente, em decorrência da violência em si, mas como consequência da infecção por HIV ou outra doença sexualmente transmissível, ou até mesmo por suicídio. De acordo com dados do Sistema Único de Saúde (SUS), ao menos 49 vítimas de estupro são atendidas por dia na rede de saúde – em 70% dos casos de estupro, a vítima é uma criança ou adolescente.

A ideia de que “a culpa é da vítima” ainda é muito forte entre os brasileiros, de acordo com dados de uma recente pesquisa da Datafolha que apontou que um em cada três brasileiros acreditam que a culpa do estupro é da mulher. Além disso, a pesquisa revelou que essa ideia também se enquadra no contexto feminino, onde 32% apontam que a “mulher tem que se dar o respeito para não ser violentada”. Porém, o constante medo de ser estuprada faz parte da realidade de 85% das mulheres entrevistadas. Por outro lado, a pesquisa mostra que a grande maioria dos entrevistados (91%) acredita que é possível “ensinar meninos a não estuprar”, reforçando o papel fundamental da educação no combate às agressões sexuais.

Campanhas

No ano passado, a ONU criou uma cartilha destinada aos profissionais da área da educação a fim de divulgar e desmitificar os conceitos sobre o que é “ser homem” e o que “ser mulher” nas escolas, incentivando a desigualdade de gênero - um dos seus 17 objetivos globais até 2030. Além disso, campanhas como o movimento HeForShe (ElesporElas) e o site Thinking Olga reforçam a ideia de que o feminismo não é a ideia deturbada de que as mulheres querem mandar e comandar os homens, mas sim, é um movimento social e político com o objetivo de conquistar direitos iguais entre ambos, desde as lutas passadas.

Então, nesse dia das mulheres, faça algo diferente: não dê flores ou presentes. Dê respeito, durante o ano todo.

Por Priscylla Almeida e Alexandra Piedade

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